domingo, 1 de fevereiro de 2015

TDAH : "CRITÉRIOS PARA UM DIAGNÓSTICO PRECISO"

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade ( TDAH), é uma disfunção neurobioquímica séria e requer basicamente tudo o que ele mais afeta nos seus portadores: atenção. Bioquimicamente falando, ele afeta uma diminuição funcional da atividade dopaminérgica ( dopamina) e noradrenérgica ( noradrenalina), resultando no comprometimento das funções executivas exercidas pelo córtex frontal. O TDAH não afeta a cognição, mas impede o indivíduo de executar, planejar, organizar seus projetos, suas tarefas diárias.
O TDAH começa a se manisfestar na infância, porém, o diagnóstico obedece critérios e deve ser realizado por profissionais qualificados e que tenham especificidade profissional para casos desse tipo. Fechar um diagnóstico de TDAH em crianças se torna muito mais complexo, pois o homem, como ser biológico, tende a se adaptar as mudanças ao meio. O mundo moderno, o progresso tecnológico, as necessidades de trabalho, as exigências dessa nova vida a qual fazemos parte, nos obriga a adquirir uma postura diferenciada, não tão passiva para que não sejamos atropelados por uma multidão de seres competitivos querendo disputar espaços cada vez mais limitados para os mais capacitados, mais bem adaptados. Só os fortes sobreviverão! Sábias palavras de Charles Darwin...

Esse novo mundo, o qual estamos inseridos, nos bombardeia todos os dias e por todos os lados com estímulos diversos e a nossa capacidade biológica adaptativa à uma condição diversificada, nos tornou seres naturalmente mais agitados para que estejamos aptos a lidar com essa enxurrada de informações que chegam a todo momento e que a vida espera de nós uma reação imediata diante delas. È o que chamamos de " Síndrome do Pensamento Acelerado".
Exatamente por isso, mãezinhas, que é preciso fazer a análise do modo de vida de uma criança antes de rotularmos como hiperativa. Já pararam para pensar que agitação, ansiedade, falta de atenção podem ser um estado temporário na vida de uma criança? Imaginaram alguma vez que pode fazer parte desse processo evolutivo de adaptação a esse novo mundo, um meio cheio de possibilidades, desafios e por uma simples questão comportamental ela pode estar enfrentando dificuldades, mas uma vez bem inserida e colocada tudo tende a normalizar? Afinal, apesar das suas características genéticas, o homem é fruto do meio que se torna fundamental para potencializar coisas que até então constavam apenas como bagagem no DNA.
O diagnóstico definitivo do TDAH só deve acontecer após os 5-6 anos de idade, justamente porque é o momento em que , normalmente, as crianças iniciam a vida escolar. É necessário uma investigação profunda ( anamnese) para certificarmos que os episódios de desatenção, impulsividade, hiperatividade não são fatos isolados e decorrentes da relação familiar, social ou de processos educacionais inadequados ou, até mesmo, outros transtornos ligados a infância.

Crianças com TDAH apresentam uma história de acontecimentos e sintomatologia frequentes que devem ser cuidadosamente avaliados. Vale a pena salientar que nem toda criança agitada, agressiva ou que vai mal na escola tem um transtorno ou um distúrbio de aprendizagem. Portanto, atenção mamães com o diagnóstico precoce de TDAH e, principalmente, com o uso de medicações. Lembrem-se sempre: " A diferença entre o remédio e o veneno está apenas na dose."

CURIOSIDADES SOBRE O CÉREBRO

VOCÊ SABIA?


  • Estima-se que seu cérebro tenha cerca de 100 bilhões de neurônios e 40 quatrilhões de conexões. Mas ninguém sabe os números exatos.
  • Você já teve uma quantidade ainda maior de células e conexões. Mas ao nascer já havia perdido metade dos seus neurônios que tinha quando era um feto. Na adolescência, você perde ainda mais, pois o cérebro corta os excessos para torná-lo mais eficiente.
  • Seu cérebro é grande. Com seus muito sulcos, camadas e  circunvoluções, ocuparia uma área 10 vezes maior se fosse desdobrado sobre uma superfície plana.
  • Seu cérebro é um sugador de energia. Embora ocupe apenas 2% do corpo, consome 20% da energia corporal enquanto você está em repouso.
  • Seu cérebro é capaz de produzir novos neurônios. Os cientistas estão descobrindo que o cérebro estabelece novas conexões e produz neurônios em algumas áreas para atender novas necessidades, e continua a fazê-lo até mesmo na velhice.
  • O cérebro é capaz de mudar. Ele se adapta com as experiências internas e externas para assumir novas funções. Quanto mais você repetir uma ação ou pensamento, mais espaço cerebral será dedicado. Nos músicos, por exemplo, a parte do cérebro que controla os dedos usados para tocar o instrumento é até 130% maior do que a seção correspondente em outras pessoas. Embora a adaptabilidade seja maior nos jovens, mesmo um cérebro envelhecido pode aprender novos truques.
  • Seu cérebro se poda sozinho. Como um jardineiro que apara  roseiras, o cérebro enfraquece conexões menos usadas e fortalece as conexões uteis, o que acaba por melhorar a memória.
  • O estresse pode murchar seu cérebro. Já a meditação e o exercício físico o deixam mais forte e melhoram sua habilidade de aliviar o estresse.
  • A superfície do seu cérebro é completamente insensível. Você poderia tocá-la ( cirurgiões o fazem) sem sentir nada. Somente quando as partes internas são estimuladas, você sente algo, seja tátil, seja emocionalmente. Essa característica permite que os pacientes permaneçam conscientes enquanto os médicos realizam delicadas cirurgias cerebrais.

sábado, 31 de janeiro de 2015

A IMPORTÂNCIA DO PSICOPEDAGOGO NO TRATAMENTO DE AUTISTAS


Dentre as diversas formas terapêuticas as quais uma criança autista necessita, a intervenção psicopedagógica é extremamente importante para o desenvolvimento intelectual dos “anjos azuis”.
O desconhecimento acerca da atuação do Psicopedagogo por parte dos pais e professores, impede a oportunidade de otimizar a aprendizagem, através do estímulo, descoberta de potencialidades, reabilitação cognitiva, socialização, treino comportamental através do lúdico, o que garante um avanço extraordinário no desenvolvimento do aprendizado e, consequentemente, no rendimento escolar.
O Psicopedagogo, além de investigar, detectar e intervir nas causas que estão levando ao fracasso escolar e os fatores que limitam o aprendizado, atua na orientação dos familiares quanto as suas posturas e também os profissionais envolvidos diretamente com esse aluno autista.
O Psicopedagogo, precisa, além do seu conhecimento teórico - prático, ter a sensibilidade em compreender que uma criança autista aprende, mas também ensina, pois toda a bagagem que ele carrega consigo deve ser considerada. Através desse conhecimento, respeitando suas limitações, é possível aprender e ensinar. Cabe ao Psicopedagogo intermediar o relacionamento entre ensinante e aprendente na construção de um vínculo prazeroso e saudável.
A criança autista tem aversão a ambientes agitados e desorganizados, então, é importante trabalhar o tom de voz. A fala deve ser serena, explícita e pausada. Seus interesses restritos são ferramentas preciosas para o psicopedagogo trazer à sessão a atenção da criança e possibilitar a socialização e o aprendizado.
É de vital importância tratá-lo pelo nome e comunicar de forma simples a atividade proposta e antes de propor, o psicopedagogo deve executá-la.
O jogo é o melhor e mais completo instrumento a ser utilizado, resgatando e preparando para aprendizagem, visto que ele abrange os três estilos de aprendizagem; visual, auditivo e sinestésico, desenvolvendo, assim, a cognição, competências fundamentais para o futuro.
Dessa forma, contribuirão para melhor desempenho do autista e para integração das várias dimensões do seu conhecimento afetivo, motor, cognitivo e social.
  


A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA


O passo inicial para nosso entendimento acerca da ludicidade refere-se a compreensão etimológica da palavra. Ludicidade, provém do termo lúdico que, do latim “ ludus”, significa jogo.
É preciso conscientizar que a sala de aula é um ambiente que precisa proporcionar a construção do aprendizado. Quando falamos em aprender, nada é acabado ou estagnado, tudo está em constante transformação e adaptação. A educação, em seu sentido mais amplo, também está em progressiva renovação, buscando novos caminhos e alternativas à práticas pedagógicas que viabilizem um aprendizado mais prazeroso, pleno de significações, que instigue o educando a construir seu próprio conhecimento, desenvolver capacidades, tornando-se crítico sobre a realidade a qual está inserido. A prática lúdica é uma opção que visa o desenvolvimento pessoal, sendo portanto, capaz de colaborar na formação de adultos construtivos e independentes.
A prática da ludicidade na sala de aula, provoca o aluno em todas as suas habilidades, é uma alternativa que traz grandes benefícios ao desenvolvimento humano em formação. O lúdico proporciona uma nova maneira de aprender e de se desenvolver. Quando se fala em brincar não é simplesmente brincar, existem regras, objetivos educacionais, situações que podem ser exploradas. Os jogos em sala de aula ou em outro ambiente escolar, bem conduzidos provocam o interesse pela disciplina e pelo conteúdo. Num simples jogo, o aluno terá que que estudar a melhor estratégia de jogar e vencer, usando raciocínio, a lógica, a forma de relacionamento entre os participantes, estimulando o espírito de competitividade sem deixar de lado o espírito de cooperação, afinal, as atividades não são apenas competitivas.

Sendo assim, a ludicidade representa um caminho para envolver os alunos a um aprendizado de conceitos construídos importantes à leitura do mundo que podem e devem exercer.

APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO


Levando em consideração que o sujeito alvo do trabalho psicopedagógico é um ser biológico e que ele é composto de contextos afetivos, orgânicos e sociais, podemos afirmar que todo o seu desenvolvimento físico e mental depende, ao longo de toda a sua vida, da influência dos agentes externos de natureza física e social. Esses agentes atuam sobre o seu organismo e sobre seu estado de espírito, estimulando suas capacidades e aptidões.
O desenvolvimento geral do indivíduo depende das suas potencialidades genéticas e das habilidades aprendidas ao longo da vida. A aprendizagem está diretamente relacionada com o desenvolvimento cognitivo.
A cada estágio da vida o indivíduo aprende algo, levando em consideração o seu processo de maturação biológica e permite ao sujeito compreender o meio que está inserido, promove maior relação e interação com aquilo que o cerca, seja a si próprio e garante um ajuste ao ambiente físico e social.
O desenvolvimento cognitivo envolve algumas questões importantes como receptações de informações, organização e interação do material aprendido na estrutura cognitiva para que seja processado garantindo o aprendizado.
Nesse contexto, a inteligência desempenha uma função adaptativa, pois através dela que o indivíduo coleta informações do meio e as reorganiza de forma compreender melhor a realidade em que vive, gerando uma ação e uma transformação. Quando Piaget usa a palavra adaptação refere-se ao conceito da palavra usado pelas Ciências Biológicas, ou seja, uma modificação ocorre no ser em decorrência da sua interação com o meio.
A Psicopedagogia desenvolve um trabalho de prevenção, diagnose e intervenção dos fatores que interferem no desenvolvimento do sujeito e que acarretam às dificuldades de aprendizagem. Ela busca criar competências e habilidades para solucionar esses problemas.
O grande desafio da Psicopedagogia está em sanar essas dificuldades levando em conta não só a relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento, mas os fatores que interferem essa interação (familia, escola, fatores cognitivos). O psicopedagogo lida com diversas pessoas envolvidas, investiga os erros que acometem a construção do conhecimento, revisa processos, propõe novos métodos de ensino, além de reconstruir uma proposta de aprendizado mais afetiva, seja na orientação de familiares e professores.

Sendo assim, é possível concluir que o desenvolvimento humano, em todas as suas fases e seus estágios de maturação revelam, à luz da Psicopedagogia, uma avaliação segura do mecanismo de aprendizagem, atendendo com eficácia as necessidades educacionais dos que atravessam dificuldades durante o processo da construção do conhecimento.

O CÉREBRO E APRENDIZAGEM



Embora o Sistema Nervoso apresente diversos tipos de divisões, sejam as morfológicas ou funcionais, todas as estruturas e componentes neurológicos trabalham de forma harmônica, pois a integração garante a manutenção e a estabilidade das suas funções, tendo em vista que um   dos critérios de divisão funcional do SN é justamente a relacional, ou seja, o organismo se relaciona com o meio ambiente. Se resgatarmos a origem do SN, os primeiros neurônios surgiram na superfície externa dos organismos, assim como tomando como referência os três folhetos embrionários, é o ectoderma que está em contato com o meio e na embriogênese é do espessamento desse folheto que nasce o indício da formação do SN por volta da terceira semana de gestação.
Graças a incrível capacidade de plasticidade cerebral, o cérebro pode sofrer diversos tipos de alterações e adaptações a cada vez que ele é estimulado, modificando –se anatomicamente. O cérebro armazena fatos de forma separada, mas a aprendizagem acontece quando, através das sinapses, ele realiza associações em decorrência de novos estímulos e o papel não só dos psicopedagogos, mas dos educadores em geral é saber proporcionar estímulos adequados a cada fase do desenvolvimento do sujeito tendo como objetivo a construção do aprendizado.
É bem verdade que a aprendizagem está diretamente ligada aos processos emotivos e que a memorização é deveras importante para que o aprendizado se concretize. É possível constatar essa afirmação quando paramos para pensar em situações já vivenciadas por nós, como uma festa de aniversário surpresa, a perda de um ente querido, aquela nota dez em matemática. Todas tiveram o fator emocional como a alavanca pra que essa experiência ficasse “tatuada” no cérebro. Isso acontece porque ocorre ativação do sistema límbico através de neurotransmissores que aceleram os circuitos cerebrais, facilitam o armazenamento das  informações , bem como o resgate das que estão guardadas. Embora nem todo aprendizado seja facilitado pela emoção, há uma outra forma de memorizar estímulos não muito agradáveis e tediosos, através da repetição.
Sendo assim, a aprendizagem para ser significativa e atender as exigências neurológicas que garantem uma boa memorização, deve contar com um plano de aula diferenciado que estimule o aluno a interação constante com o objeto do conhecimento, além da habilidade do educador em discernir o canal de aprendizado que gera maior facilidade de compreensão em cada um de seus alunos, levando em consideração as diferenças biológicas, sociais e psicológicas e o tempo de maturação neurológica individual.